Presidente do Ibracon aponta que a auditoria do futuro terá mais dados, mais estratégia e menos repetição

A auditoria independente é parte importante para o desenvolvimento do mercado de capitais. Para Viviene Bauer, presidente da 5ª Seção Regional (SR) do Ibracon, o trabalho do auditor vai muito além do cumprimento de uma exigência formal. “Trata-se de um serviço de interesse público”, afirma. Ao examinar demonstrações financeiras e emitir uma opinião técnica, o auditor contribui para reduzir as desigualdades de informação que afetam decisões de investidores, credores e reguladores. Sem esse filtro, diz ela, o ambiente de negócios seria marcado por maior insegurança.
A atuação da auditoria também está diretamente ligada à transparência e à governança corporativa. Segundo Bauer, o auditor faz parte de um sistema mais amplo que inclui conselhos de administração, comitês de auditoria e órgãos reguladores. Ao avaliar controles internos, identificar riscos e sugerir ajustes, a auditoria eleva o nível de disciplina nas empresas. “Isso fortalece a prestação de contas e melhora a qualidade das informações que circulam no mercado”, destaca.
Nesse cenário, o Ibracon desempenha um papel estratégico. Com mais de cinco décadas de atuação, a entidade é responsável por manter o alinhamento do Brasil com os padrões internacionais da profissão. Entre suas atribuições está a tradução e revisão de normas globais de contabilidade, auditoria e sustentabilidade. O trabalho é feito em interlocução com instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Além disso, o instituto investe em capacitação, promovendo treinamentos e eventos técnicos — entre eles, a principal conferência brasileira da área.
O avanço tecnológico já começa a transformar de forma significativa a rotina da auditoria. Ferramentas de análise de dados, inteligência artificial e automação permitem ir além das tradicionais amostragens e examinar grandes volumes de informação de forma mais precisa. “Estamos caminhando para um modelo de monitoramento contínuo”, explica Bauer. Na prática, isso significa detectar padrões, identificar desvios e mapear riscos com mais agilidade.
Para a presidente do Ibracon, a tecnologia também muda o perfil do profissional. Com a automação de tarefas repetitivas, o auditor ganha espaço para atuar de forma mais estratégica, concentrando-se em áreas que exigem julgamento mais sofisticado. A tendência, nos próximos cinco a dez anos, é de uma atividade mais analítica, preparada para lidar com ambientes cada vez mais complexos. A relação com outras entidades técnicas também faz parte desse ecossistema. Bauer cita a complementaridade entre o Ibracon e a Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo (APEJESP). Enquanto o instituto se dedica à auditoria independente e à confiabilidade das informações financeiras, a associação atua na formação de peritos que auxiliam o Judiciário. “Ambos trabalham para garantir qualidade técnica e credibilidade nas decisões”, afirma.
No campo jurídico, o papel do perito é essencial, especialmente em disputas que envolvem temas contábeis e financeiros. Cabe a esse profissional traduzir dados complexos para uma linguagem compreensível ao juiz, oferecendo uma análise independente que sirva de base para decisões mais justas. “Em casos complexos, essa atuação é decisiva”, conclui Bauer.
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