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APEJESP leva simulação de tribunal arbitral ao Mackenzie Business Week A arbitragem tem ganhado cada vez mais espaço como método estratégico de resolução de conflitos e também como campo de atuação para profissionais da área contábil e econômica. Esse foi um dos principais temas da palestra promovida pela APEJESP, realizada no dia 20 de maio, das 19h às 22h, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, durante o MACKENZIE BUSINESS WEEK 2026 que aconteceu de 18 a 21 de maio, destinado a alunos de diversas áreas de formação, como contabilidade, administração e outras.

Com o tema “Contabilidade e Economia aplicados na solução de conflitos – Arbitragem e aspectos da audiência”, o encontro reuniu especialistas para apresentar, de forma introdutória e prática, os conceitos fundamentais da área e as oportunidades que se abrem para profissionais, inclusive em início de carreira.

A primeira parte da palestra foi conduzida por Suely Gualano Bossa Serrati, presidente da APEJESP, que apresentou os fundamentos da perícia contábil e econômica e destacou a importância do conhecimento jurídico para a atuação profissional.

Durante a apresentação, foi enfatizado que, embora o perito não exerça a função de advogado, é indispensável compreender o funcionamento dos processos judiciais. Nesse contexto, o Código de Processo Civil foi apontado como uma base essencial para o exercício da atividade, já que orienta a atuação técnica dentro das demandas judiciais.

A palestrante ressaltou que o perito atua como auxiliar da Justiça, sendo responsável por fornecer ao magistrado subsídios técnicos que contribuam para a tomada de decisão. O principal produto desse trabalho é o laudo pericial, documento que pode influenciar de forma significativa a convicção do juiz, embora não seja o único elemento considerado na sentença.

Outro ponto destacado foi o alto nível de responsabilidade da função. Segundo Suely Bossa, a formação acadêmica é apenas o primeiro passo, sendo necessária especialização, experiência e constante atualização. A atuação exige rigor técnico, fundamentação em documentos confiáveis e observância das normas dos conselhos profissionais e dos códigos de ética.

A perícia foi definida como um conjunto de procedimentos técnicos e científicos voltados à produção de provas. Nesse sentido, a palestrante reforçou que o trabalho não se baseia em suposições, mas em evidências documentais e análises fundamentadas.

Também foi destacada a relevância da comunicação clara na elaboração dos laudos, já que o público destinatário inclui não apenas especialistas, mas também juízes, advogados e partes envolvidas, muitas vezes leigos no tema.

Mercado, aplicações e avanço da arbitragem

A segunda parte do encontro foi conduzida por Juliana Baggio Inácio, diretora financeira da APEJESP, e Patrícia Fuchs, que ampliaram a discussão para o mercado da perícia e suas diferentes aplicações.

As palestrantes destacaram que a perícia contábil e econômica é uma atividade técnica especializada, exercida por contadores e economistas, com atuação em diversas frentes. Entre elas, estão a solução de conflitos no Judiciário, a arbitragem, a mediação privada, investigações em âmbito penal, questões tributárias e atividades de governança corporativa.

O conteúdo também evidenciou o papel preventivo da perícia em ambientes empresariais, especialmente em áreas como gestão de contratos, fusões e aquisições (M&A) e análise de direitos creditórios.

Nesse contexto, a arbitragem foi apresentada como um dos principais instrumentos contemporâneos de resolução de disputas. Regulada pela Lei nº 9.307/1996 e ampliada pela Lei nº 13.129/2015, a prática permite que conflitos sejam resolvidos fora do Judiciário, com maior agilidade, confidencialidade e autonomia das partes.

Entre as vantagens destacadas estão a celeridade dos processos, a flexibilidade procedimental, o sigilo e a possibilidade de escolha de árbitros com conhecimento técnico específico. Além disso, as decisões arbitrais possuem eficácia semelhante à de sentenças judiciais.

A palestra também abordou ferramentas práticas utilizadas na arbitragem, como a Redfern Schedule, instrumento que organiza a análise de provas documentais, contribuindo para maior eficiência e clareza no processo.

Aplicação prática: simulação de tribunal arbitral

Após a apresentação teórica, o evento avançou para uma etapa prática, reforçando a proposta de aproximar os participantes da realidade profissional. Foi realizada uma simulação de tribunal arbitral, com base em um caso fictício, permitindo aos alunos do Mackenzie acompanhar a dinâmica de uma audiência na prática.

A atividade contou com organização e mediação de Juliana Baggio Inácio e Patrícia Fuchs, além da participação de:

Carolina Smirnovas, como advogada requerente

Paula Akemi, como advogada requerida

Fernando Viana, como perito da parte requerente

Alex Alexandre, como perito da parte requerida

Durante a simulação, os participantes puderam observar etapas como a apresentação do caso, os posicionamentos das partes e a fase de inquirição, na qual peritos são questionados tecnicamente. A atividade evidenciou o papel estratégico do perito na sustentação técnica e na interlocução com árbitros e advogados.

Formação e oportunidades

Ao longo do encontro, também foram apontadas as principais portas de entrada para a área, como a busca por especialização, participação em eventos, capacitação contínua e aprofundamento técnico. A importância do registro em conselhos profissionais, como o CRC e o Corecon, foi reforçada como requisito obrigatório para atuação.



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