Peritas e membros da APEJESP avaliam avanços e desafios da presença feminina na perícia

A participação feminina na área de perícia tem avançado de forma consistente e já redefine o perfil de um campo tradicionalmente ocupado por homens. O crescimento não se limita ao número de profissionais atuantes, mas se reflete na qualidade técnica, na diversidade de perspectivas e na ocupação gradual de espaços de visibilidade e liderança dentro da profissão.
Para Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, membro do Conselho Fiscal, essa evolução é diretamente associada ao acesso à formação técnica e superior: “A participação feminina na perícia judicial tem evoluído de forma positiva nas últimas décadas, especialmente com o maior acesso das mulheres a formações técnicas e superiores. Em áreas altamente especializadas como a avaliação de obras de arte, ainda somos minoria — o que não decorre de discriminação, mas da própria exigência de uma formação muito específica.” Segundo ela, características técnicas fazem diferença no resultado do trabalho pericial: “As mulheres são particularmente meticulosas e atentas aos detalhes. Essa característica faz toda a diferença na análise minuciosa de pigmentos, assinaturas, proveniência, estado de conservação e contexto histórico de uma obra.” Ela ressalta ainda os desafios futuros: “O que ainda precisa avançar é a divulgação dessa área para mais jovens mulheres e o fortalecimento de redes de apoio dentro de entidades como a APEJESP.”
A mudança também já é percebida no cotidiano forense. Andreia Tibiriçá e Sá de Jesus, membro do Conselho Deliberativo, observa: “A evolução já é visível. Deixamos de ser exceções em salas de audiência para nos tornarmos referências técnicas indispensáveis.” Apesar disso, ela alerta para obstáculos que persistem: “Ainda temos que avançar no reconhecimento de que a ‘competência não tem gênero’. Precisamos de mais mulheres ocupando as nomeações em casos de alta complexidade.”
Na avaliação de Marcia de Souza Montanholi, 1ª Diretora Secretária, o cenário atual é animador, mas ainda exige avanços institucionais: “Vejo uma evolução muito positiva. Hoje temos mais mulheres atuando na perícia com preparo, seriedade e competência, conquistando espaços que antes eram muito mais restritos.” Ela reforça que a consolidação dessa transformação passa pela participação estratégica: “Não basta apenas participar, é importante também ocupar os espaços de decisão e representação.”
Com quase duas décadas de atuação, Juliana Baggio Inácio, 2ª Diretora Financeira, acompanha o crescimento feminino ao longo do tempo: “Trabalho há 18 anos com perícia contábil e vejo que a participação feminina tem aumentado com o passar dos anos.” Para ela, o diferencial está na excelência técnica: “Vejo que hoje muitas mulheres se destacam na área pericial por laudos periciais e pareceres técnicos de alta qualidade.” Juliana também destaca o impacto da representatividade: “O maior protagonismo das mulheres em posições de liderança, como na presidência de instituições como a APEJESP, inspira mais mulheres a buscar esse caminho.”
Os números confirmam esse avanço. Angela Zechinelli Alonso, membro do Conselho Deliberativo, destaca dados expressivos: “Hoje, só no Estado de São Paulo, temos 954 profissionais registrados no CNPC e mais de 25% desse contingente são mulheres. É um avanço e tanto!” Ela observa que o próprio perfil da atividade contribui para esse cenário: “A perícia contábil tem um charme especial para quem busca qualidade de vida. É um trabalho técnico, com interpretação e números, e as mulheres estão mostrando que têm muito talento para isso.”
Para Patricia Barbosa da Silva, membro do Conselho Deliberativo, o crescimento é relevante, mas ainda desigual: “A evolução da participação feminina na perícia tem sido notável e inspiradora.” Segundo ela, ainda há desafios estruturais importantes: “Ainda precisamos progredir na equidade de nomeações em casos de alta complexidade e grande repercussão financeira.”
A presidente Suely Gualano Bossa Serrati ressalta que a transformação já é uma realidade e deve ser reconhecida: “Nos últimos anos, vimos uma verdadeira transformação na participação feminina na perícia. Cada vez mais mulheres têm ocupado espaços de destaque, trazendo competência técnica, ética e sensibilidade para fortalecer o sistema de justiça.” Ela enfatiza que o avanço vai além dos números: “Essa evolução não é apenas numérica: é qualitativa, pois amplia a diversidade de olhares e soluções em um campo que exige rigor e imparcialidade.” Sobre liderança, Suely afirma: “É motivo de celebração perceber que hoje temos mais mulheres em cargos de liderança, mais visibilidade para suas conquistas e mais reconhecimento institucional.” Ao mesmo tempo, ela faz um chamado para a continuidade desse movimento: “Precisamos engajar mais mulheres, incentivar sua formação contínua e garantir que tenham acesso às mesmas oportunidades de crescimento e liderança.” Para a presidente, cada passo adiante fortalece toda a área: “A cada conquista, damos visibilidade não apenas ao talento individual, mas ao impacto coletivo que fortalece toda a perícia.”
Por fim, Ana Marta Froelich Mancuso Luft, membro do Conselho Deliberativo, lembra que ainda há campos com grande potencial de avanço feminino: “A participação feminina na área de perícia vem crescendo nas últimas décadas no Brasil, porém ainda precisa avançar em áreas dominadas pelos homens, como Engenharia, Perícia Ambiental e Informática Forense.”
Mulheres peritas ainda enfrentam desafios estruturais, culturais e de reconhecimento
Apesar do avanço significativo da participação feminina na perícia, profissionais da área destacam que o caminho para a plena equidade ainda envolve obstáculos estruturais, culturais e institucionais. O reconhecimento profissional, o acesso desigual a oportunidades estratégicas e a necessidade de conciliar múltiplos papéis seguem como desafios presentes no cotidiano das mulheres que atuam no mercado pericial e no sistema de justiça.
Para a presidente Suely Gualano Bossa Serrati, os desafios enfrentados pelas peritas são múltiplos e interligados: “muitas vezes, mulheres peritas precisam provar sua competência em dobro para serem valorizadas”. Ela ressalta que “preconceitos de gênero ainda persistem no mercado e no sistema de justiça” e destaca que “a sobrecarga entre vida pessoal e profissional continua sendo um desafio”. Além disso, aponta que “ainda há desigualdade na distribuição de casos complexos e na ascensão a posições estratégicas”.
Na prática da profissão, esses desafios ganham forma concreta. Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, membro do Conselho Fiscal, avalia que as dificuldades estão mais ligadas à estrutura da atividade do que à discriminação direta: “Os desafios são mais estruturais e de conciliação do que de discriminação direta. No mercado, a perícia exige disponibilidade para vistorias, prazos judiciais rigorosos e constante atualização técnica — o que pode se chocar com a dupla jornada ainda comum entre as mulheres.” Ela acrescenta que, no sistema de justiça, “há a pressão por laudos imparciais e tecnicamente irretocáveis, além da necessidade de conciliar o trabalho com a vida pessoal”. Em sua área de atuação, Suzana observa que o critério central é técnico: “Na área de avaliação de obras de arte, felizmente não percebo discriminação entre homens e mulheres. O que conta é a competência técnica e a capacidade de entregar um laudo detalhado e confiável.” Segundo ela, “as mulheres, por sua tendência à meticulosidade, muitas vezes se destacam exatamente por esse olhar atento aos detalhes que o campo exige”.
A necessidade de afirmação constante também é apontada como entrave relevante por Marcia de Souza Montanholi, 1º Diretora Secretária: “Acredito que um dos principais desafios ainda seja a necessidade de provar constantemente a própria capacidade. Muitas mulheres são extremamente preparadas, mas ainda enfrentam contextos em que precisam se afirmar mais.” Ela acrescenta que “existe a conciliação de múltiplas responsabilidades, algo que muitas vezes pesa mais sobre a mulher”, embora destaque avanços consistentes: “Vejo que temos ocupado esses espaços com muita competência, equilíbrio e firmeza.”
Para Juliana Baggio Inácio, 2º Diretora Financeira, a multiplicidade de funções faz parte da rotina feminina: “As mulheres, por natureza, são multifunções. Dedicam tempo para aprimoramento técnico, cuidam das equipes em seus escritórios, além do cuidado com a família, a casa, saúde e cuidado pessoal.” Segundo ela, “assim, o maior desafio que vejo é o equilíbrio entre o trabalho e as demais áreas da vida”.
Na avaliação de Angela Zechinelli Alonso, membro do Conselho Deliberativo, destacar-se na perícia exige mais do que excelência técnica: “O trabalho do perito é algo muito pessoal. É a sua assinatura, a sua reputação que está em jogo.” Ela ressalta que, para alcançar reconhecimento, é necessário investir também em visibilidade profissional: “Para ter um bom fluxo de indicações de juízes ou escritórios de advocacia, a mulher precisa enfrentar dois grandes desafios: qualificação técnica e networking.” Angela enfatiza que “não adianta só ser boa; é preciso que as pessoas conheçam o seu trabalho” e reforça a importância da presença institucional: “Isso significa participar de eventos, cursos e, principalmente, frequentar as entidades de classe. O reconhecimento vem para quem estuda e para quem aparece.”
Uma análise mais ampla é apresentada por Patricia Barbosa da Silva, membro do Conselho Deliberativo, que aponta paralelos com o mercado de trabalho em geral: “Os desafios que enfrentamos na perícia muitas vezes refletem as barreiras estruturais do mercado de trabalho em geral, mas com algumas particularidades do sistema de justiça.” Segundo ela, a construção de autoridade segue sendo um grande obstáculo: “Muitas vezes, a mulher perita precisa provar sua capacidade técnica repetidas vezes em um ambiente onde a credibilidade masculina é frequentemente presumida.” Patricia também chama atenção para o etarismo: “Há um preconceito velado que dificulta a inserção de mulheres maduras que estão começando na perícia, ignorando que a vivência prévia delas é, na verdade, um diferencial riquíssimo para a análise pericial.” Além disso, destaca que “a conciliação da jornada dupla ou tripla continua sendo um obstáculo” diante de “prazos processuais rigorosos”.
Por fim, Andreia Tibiriçá e Sá de Jesus, membro do Conselho Deliberativo, sintetiza um dos pontos centrais desse cenário: “O maior desafio ainda é o combate ao viés inconsciente. Muitas vezes, a perita precisa provar seu domínio técnico com o dobro de esforço para ser ouvida com a mesma autoridade.” Ela observa que esse desafio é também interno: “Precisamos vencer não apenas os olhares masculinos, mas a nossa própria criação no pensamento de: será que eu consigo?”
Formação, visibilidade e representatividade são apontadas como caminhos para ampliar liderança feminina na perícia
O fortalecimento da presença feminina na perícia e o avanço das mulheres em posições de liderança passam por ações estruturadas que envolvem formação, divulgação e apoio institucional. Profissionais da área destacam que criar referências, abrir espaços e oferecer oportunidades concretas são passos essenciais para consolidar esse movimento.
Para
Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, membro do Conselho Fiscal, o investimento em divulgação e formação é fundamental: “É fundamental investir em divulgação e formação. Podemos realizar workshops e cursos introdutórios voltados para mulheres, mostrando que a perícia é uma carreira técnica, autônoma, bem remunerada e compatível com a vida familiar; criar programas de mentoria dentro da APEJESP, com peritas experientes acompanhando jovens profissionais; estimular parcerias com universidades e instituições de arte para apresentar a perícia como uma possibilidade de carreira para historiadoras da arte, museólogas e profissionais afins. Na minha área específica, onde a formação é muito especializada, o maior atrativo é mostrar que não existe barreira de gênero: o que importa é o rigor técnico, a ética e a atenção aos detalhes — características em que as mulheres frequentemente se sobressaem. Incentivar a participação ativa em comissões e diretoria da APEJESP também é essencial para que mais mulheres ocupem posições de liderança.”
Ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres peritas,
Ana Marta Froelich Mancuso Luft, membro do Conselho Deliberativo, destaca como pontos centrais a equidade e o reconhecimento profissional: “Entendo que os principais desafios são: alcançar maior equidade e reconhecimento profissional, quebrar a concentração de nomeações em peritos tradicionais ou já conhecidos pelos magistrados.”
A importância do exemplo e da visibilidade é ressaltada por
Marcia de Souza Montanholi, 1º Diretora Secretária, que vê nessas ações um estímulo direto para novas lideranças: “Acredito muito no poder do exemplo. Quando uma mulher vê outra ocupando esse espaço, ela entende que também pode chegar lá. Por isso, dar visibilidade às trajetórias femininas é muito importante. Também é essencial investir em formação, acolhimento, incentivo e abertura de oportunidades dentro das entidades de classe. Liderança se constrói com vivência, participação e confiança.”
Para
Juliana Baggio Inácio, 2º Diretora Financeira, a carreira pericial reúne atributos que devem ser mais divulgados para atrair novas profissionais: “Trata-se de uma bela carreira, que proporciona satisfação pessoal e financeira. Há, por certo, a dedicação e a competência para chegar lá, mas o exemplo de mulheres batalhadoras, que se destacam na perícia, é uma inspiração e a prova de que se pode conquistar, com esforço, os seus sonhos.”
Na avaliação de
Angela Zechinelli Alonso, membro do Conselho Deliberativo, a divulgação é o eixo central para ampliar o protagonismo feminino: “A resposta é simples: divulgar. O que falta, muitas vezes, é informação e referência. As mulheres estão conquistando espaços que, há algumas décadas, eram vistos como ‘masculinos’. E isso não é uma realidade só na perícia, é na ciência, na tecnologia, nas engenharias. Precisamos mostrar esses ‘cases’ de sucesso. Quando uma jovem vê outra mulher coordenando uma grande perícia ou presidindo uma entidade, ela pensa: ‘Poxa, eu também posso’. O caminho é dar visibilidade a essas trajetórias. Ajudar a abrir portas.”
A representatividade institucional também é apontada como fator decisivo por
Andreia Tibiriçá e Sá de Jesus, membro do Conselho Deliberativo: “Quanto mais representatividade, maiores as chances de termos novas peritas atuantes nas entidades, como o que está acontecendo agora com as presidências do CRC-SP e APEJESP. Entretanto, entendo que o apoio dos homens neste processo é crucial para que as entidades abram e mantenham suas portas abertas para as mulheres.”
A necessidade de ampliar redes de contato e acesso à informação aparece novamente na fala de
Ana Marta Froelich Mancuso Luft, que reforça o papel das iniciativas institucionais: “Entendo que é necessário dar mais visibilidade, como promover palestras com peritas experientes em universidades, ampliar redes profissionais, oferecer programas de iniciação à perícia, comissões de mulheres peritas em institutos e conselhos, fóruns periódicos de troca de experiências, porque muitas carreiras em perícia surgem por indicação ou contato profissional.”
Por fim,
Patricia Barbosa da Silva, membro do Conselho Deliberativo, destaca que a formação de novas lideranças femininas depende de representatividade e redes de apoio estruturadas: “A atração e formação de novas lideranças femininas passa fundamentalmente pela representatividade e pelo fomento de redes de apoio. O primeiro passo é dar visibilidade às mulheres que já atuam e têm sucesso na área, em todas as faixas etárias. Quando profissionais veem mulheres ocupando cargos de conselheiras, diretoras e presidentes em entidades como a APEJESP, a liderança deixa de ser uma abstração e passa a ser um objetivo palpável. Institucionalmente, precisamos promover programas de mentoria inclusivos, que abracem tanto as jovens recém-formadas quanto as mulheres maduras em transição de carreira. Peritas experientes podem orientar essas profissionais, ajudando-as a navegar pelos trâmites do sistema de justiça, a combater o etarismo e a se posicionarem no mercado com a autoridade que sua trajetória de vida lhes confere. Além disso, é essencial promover eventos, cursos e debates que abordem o desenvolvimento de soft skills voltadas para a liderança, negociação e posicionamento profissional, criando comitês femininos dentro das entidades de classe para mapear as necessidades específicas desse grupo.”
“Para avançar, é fundamental investir em programas de mentoria, conectando jovens profissionais a peritas experientes; promover a capacitação contínua, oferecendo cursos e treinamentos voltados para mulheres, incentivando a especialização e a liderança; implementar políticas institucionais inclusivas, com a criação de comissões de diversidade e equidade em entidades como a APEJESP; e ampliar a visibilidade, dando destaque às conquistas femininas na perícia e inspirando novas gerações”, avalia a presidente
Suely Gualano Bossa Serrati.
Liderança feminina na perícia é construída com conhecimento, coragem e participação ativa
A construção de uma carreira sólida na perícia e a ocupação de espaços de liderança exigem preparo técnico, postura profissional e participação institucional. Profissionais experientes da área destacam que o caminho está aberto, mas demanda dedicação contínua, confiança e engajamento.
Para
Patricia Barbosa da Silva, membro do Conselho Deliberativo, a formação técnica é a base para qualquer trajetória consistente. “A principal mensagem, que vale tanto para as jovens profissionais quanto para as mulheres maduras que estão iniciando na perícia agora, é: invistam incessantemente no seu conhecimento técnico, pois ele é a sua maior blindagem e o seu principal passaporte. A perícia é uma ciência de precisão; um laudo irretocável, fundamentado e claro fala por si só e constrói uma reputação sólida que nenhum preconceito — seja de gênero ou de idade — consegue derrubar. Não tenham medo de ocupar espaços nem se deixem intimidar por começar uma nova trajetória, independentemente da sua idade. A sua bagagem de vida e suas experiências anteriores são ativos valiosos na perícia. Posicionem-se com firmeza, construam uma rede de contatos profissionais baseada no respeito mútuo e não hesitem em cobrar o valor justo pelo seu trabalho. Aproximem-se das entidades de classe, como a APEJESP, participem das comissões, dos cursos e das assembleias. A liderança não é algo que nos é concedido — é um espaço que ocupamos através de trabalho, dedicação e coragem. O caminho foi aberto por muitas mulheres pioneiras antes de nós, e agora é a nossa vez de pavimentar a estrada para as próximas gerações.”
A importância de ocupar espaços desde o início da trajetória é ressaltada por
Marcia de Souza Montanholi, 1º Diretora Secretária. “Eu diria para não terem medo de começar e nem de ocupar o seu espaço. A perícia é uma área que exige estudo, responsabilidade e constância, mas também é uma área muito rica e gratificante. A liderança vai sendo construída ao longo da trajetória, na postura, na ética, no comprometimento e na forma como cada uma escolhe contribuir com a profissão.”
Para
Juliana Baggio Inácio, 2º Diretora Financeira, o conhecimento profundo aliado à vocação é determinante. “Se desejam trilhar esse caminho, sejam grandes conhecedoras da sua área de formação. Necessário entrega de tempo para a aquisição de experiência, mas também descubram se o amor pela área é genuíno, pois o amor pela profissão é o fator que as impulsionará na busca de postos cada vez mais altos. Sucesso!”
O aprendizado contínuo e a participação ativa no ambiente profissional são enfatizados por
Angela Zechinelli Alonso, membro do Conselho Deliberativo. “Invistam em conhecimento. A perícia não perdoa quem para no tempo. É preciso ter educação contínua, estar sempre de olho nas atualizações da legislação e das normas contábeis. Mas não adianta só estudar em casa, trancada no quarto. Participem. Invistam em si mesmas e conheçam seus colegas de profissão, entrem para as entidades, troquem ideias. O mercado é feito de pessoas. Aprendam, reaprendam e, acima de tudo, acreditem que o lugar de liderança também é nosso. O conhecimento é a chave que abre todas as portas.”
A diversidade de experiências e oportunidades que a perícia oferece é destacada por
Andreia Tibiriçá e Sá de Jesus, membro do Conselho Deliberativo. “A perícia é uma área de muitas oportunidades, além de exigir das profissionais uma constante atualização, porque os temas de conflito são diversos e desafiadores. Saber que todo dia, você pode se deparar com um tema diferente, uma empresa diferente, uma discussão diferente, confirma que não há ‘tédio’ nesta área e faz com que tenhamos a oportunidade de ampliar nossos conhecimentos. Além da parte técnica, temos o diferencial de agregar as pessoas pelos lugares que passamos, e assim, nas entidades do setor, as mulheres podem cada vez mais mostrar o seu valor, acolhendo as colegas mulheres e trocando experiências com os colegas homens. Às jovens profissionais, busquem seu lugar ao sol, porque já temos um caminho muito bem trilhado pelas nossas queridas colegas que já vêm atuando de forma primorosa para o avanço da perícia para todas e todos!”
A relevância social da perícia e o papel feminino nesse contexto são reforçados por
Ana Marta Froelich Mancuso Luft, membro do Conselho Deliberativo. “A perícia é uma atuação que exige conhecimento, ética e coragem intelectual. É uma área em que a verdade técnica tem grande impacto nas decisões da justiça, nas empresas e na sociedade. Assim, precisa cada vez mais da visão, da sensibilidade e da competência das mulheres. Cada mulher que ingressa na perícia abre caminho para outras.”
Por fim,
Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, membro do Conselho Fiscal, direciona uma mensagem direta às jovens interessadas na área, em especial nos campos mais especializados. “Para as jovens que sonham com a perícia, especialmente na avaliação de obras de arte, minha mensagem é: invistam sem medo na formação técnica profunda. A área recompensa quem é meticulosa, persistente e apaixonada por detalhes. Não existe discriminação de gênero no dia a dia do trabalho — o que vale é a qualidade do laudo e a credibilidade que você constrói. Sejam ousadas em buscar liderança: participem da APEJESP, proponham ideias, compartilhem conhecimento. As mulheres têm muito a contribuir com seu olhar atento e cuidadoso. O espaço está aberto para quem se prepara com seriedade. Construam uma carreira sólida, ética e independente — a perícia oferece exatamente isso.”
Para
Alessandra Ribas Secco, membro do Conselho Deliberativo, a evolução da participação feminina na perícia acompanha o crescimento das mulheres na contabilidade como um todo. "Os dados do Conselho Federal de Contabilidade mostram que, entre 2021 e 2026, a participação feminina entre os profissionais contábeis passou de 42% para 45%, o que demonstra um avanço importante", destaca. Segundo ela, esse movimento também é perceptível no campo pericial. "Observa-se um aumento significativo de contadoras peritas atuando como profissionais liberais, colaboradoras e até sócias de empresas de perícia."
Alessandra ressalta que, embora a perícia tenha sido historicamente um campo predominantemente masculino, esse cenário vem se transformando ao longo do tempo. "A área vem se mostrando cada vez mais igualitária, especialmente com a forte presença feminina nos órgãos de classe. Temos exemplos importantes, como a nossa presidente Suely e tantas outras mulheres que atuam na diretoria e no conselho da APEJESP", afirma. Para ela, o momento atual é reflexo de um caminho já percorrido. "Me parece que a etapa mais difícil já foi trilhada, o que favorece a presença feminina no cenário atual." Iniciativas institucionais também contribuem para esse processo. "Projetos como o CRC Mulher demonstram como o campo está favorável, e a manutenção das lideranças femininas fomenta a entrada de novas mulheres na perícia."
Ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres peritas no mercado e no sistema de Justiça, Alessandra observa que muitos deles são comuns a todos os profissionais da área. "Os desafios estão muito ligados aos que os homens também enfrentam, como a entrada de profissionais com baixa qualificação, a prática de honorários reduzidos e o aumento dos pedidos de Assistência Judiciária Gratuita", pontua. Por outro lado, ela chama atenção para novas oportunidades. "Há campos promissores, como a atuação na arbitragem e na mediação, que buscam formas alternativas de resolução de conflitos fora do Poder Judiciário. As peritas deveriam direcionar o olhar para essas novas possibilidades de atuação."
Sobre a formação de novas profissionais e a ocupação de posições de liderança em entidades de classe, Alessandra enfatiza a importância da representatividade. "Quanto maior a presença feminina, maiores são as chances de termos mais peritas atuando nas entidades, como já vem acontecendo com as presidências do CRC-SP e da APEJESP", afirma. Ela reforça, no entanto, que esse avanço deve ser coletivo. "O apoio dos homens nesse processo é crucial para que as entidades abram e mantenham suas portas abertas para as mulheres."
Por fim, Alessandra deixa uma mensagem de incentivo às jovens profissionais que desejam construir carreira na perícia. "A perícia é uma área repleta de oportunidades e exige constante atualização, já que os temas de conflito são diversos e desafiadores", explica. Para ela, a dinâmica da profissão é um dos seus maiores atrativos. "Saber que todos os dias é possível se deparar com um tema, uma empresa e uma discussão diferentes confirma que não há tédio nessa área e amplia constantemente o nosso conhecimento."
Além da técnica, ela destaca o aspecto humano da atuação pericial. "Temos o diferencial de agregar pessoas por onde passamos. Nas entidades do setor, as mulheres podem mostrar cada vez mais o seu valor, acolhendo colegas, trocando experiências com outras mulheres e também com os colegas homens." E conclui com um recado direto às novas gerações: "Busquem o seu lugar ao sol. Já existe um caminho muito bem trilhado por colegas que atuam de forma primorosa para o avanço da perícia, para todas e todos."
“A perícia é uma área que exige rigor técnico, ética e coragem. Para as jovens que desejam construir carreira e ocupar espaços de liderança, o conselho é: invistam em conhecimento, confiem na sua competência e não tenham medo de ocupar o lugar que merecem. Liderança não é apenas um cargo, é uma postura — e o futuro da perícia precisa da força e da visão das mulheres”, finaliza Suely Gualano Bossa Serrati.
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